sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Culpa e Graça - as principais idéias do livro (3/3)

3ª Parte – A Reversão


Cristo recebeu com uma palavra de perdão aqueles a quem o mundo despreza, e que estão conscientes de sua culpa, e falou com severidade àqueles satisfeitos em si mesmos e que reprimem qualquer sentimento de culpa.”


A análise e o exame de cada uma de nossas ações e pensamentos pode facilmente se tornar uma obsessão. O apostolo Paulo fala a respeito em Rm 7.19 e 24, mostrando que a extensão dessas culpas. Se por um lado, essas culpas que conseguimos medir – coisas que fazemos – representam algo que nos afasta e separa dos outros – através de julgamentos – percebemos que somos todos igualmente perdidos e afastados de Deus por natureza. A culpa, que nos separava dos outros por causa dos julgamentos, pode nos mostrar o sentido verdadeiro da ação de Deus em nosso favor: a culpa de todos os homens é inata, e estão todos os seres humanos na mesma calamitosa situação. Essa culpa do “ser”, ao contrário da culpa do “fazer”, é o que pode unir as pessoas, facilitar seu relacionamento, abrir caminhos para o testemunho, fazer uma sociedade mais justa, uma igreja mais receptiva e acolhedora, entre tantas outras coisas.

O moralismo que muitas vezes as igrejas cultivam é exatamente o mesmo que pretendia matar Jesus por curar um homem no sábado. Quem sabe o moralismo, hoje, tenha sido reforçado pela influência de Kant, filósofo alemão do século XVIII, que desenvolveu o conceito de “imperativo categórico”: instituir uma moral autônoma, dando ao homem a capacidade de julgar por si mesmo o bem e o mal, independente da revelação bíblica. Isso reforça a idéia de uma religião de princípios e deveres, tão difundida no nosso meio, e que representa uma grande ameaça não só à salvação eterna das pessoas, mas também à sua saúde mental.


4ª Parte – A Resposta


O que separa o homem da salvação não é a culpa – fazer algo, como querem os moralistas – mas sim a repressão da culpa, a autojustificação, a justiça própria. Em termos de relacionamento interpessoal, é a diferença entre começar a solucionar algum conflito e simplesmente adiar a solução aguardando que o problema seja esquecido, ou tentar transferir a responsabilidade ao outro, como no caso de Adão e Eva.

A pessoa convertida e redimida por Deus não está abrigada do pecado culpa. Talvez seja plano de Deus que tenhamos essa fragilidade e saibamos nos reconhecer frágeis e totalmente dependentes, que nos arrependamos constantemente, que tenhamos ciência da nossa miséria e da santidade e poder de Deus.


Foi para pregar a metanóia, esta transformação radical, o despertar da consciência e da culpa e a erradicação da culpa: a humilhação do orgulhoso e a restauração dos angustiados. Ela já foi de uma vez assegurada a nós e a todos os que crêem. Tudo já foi consumado.”


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Breve reflexão. Ou não.

"Gostaria que as pessoas aprendessem a ser chefes de si mesmas."
(José Mujica, presidente da República Oriental do Uruguai, em entrevista à Revista Veja de 29 de setembro de 2010.)

Não deixa de ser uma declaração curiosíssima para um político socialista. Estaria ele - que parece ter vida modesta e coerente com o discurso da esquerda, visto que vai de carona para o trabalho e tem apenas dois Fuscas na garagem - defendendo a livre iniciativa? Ora, mostrou-se contrário ao estatismo. Apontou o risco de opressão que as grandes burocracias trazem consigo. Ainda, defendeu o aprofundamento da democracia e liberdade de imprensa. Realmente, muitíssimo interessante. Que o eco seja ouvido em todos os países em que a tentação totalitária paira no ar.

Mais do que isso: essa frase permite uma reflexão universal. Mujica crê que o homem não consegue fazer o melhor para si mesmo, e que, portanto, a raiz dos problema da sociedade está dentro de cada indivíduo. O sonho de um mundo melhor depende de não nos sabotarmos mais uns aos outros, ou até a nós mesmos.

Realmente, podemos reduzir todos os problemas que afligem os seres humanos em questões bem simples de egoísmo, ganância, preguiça, insegurança, violência e tantas outras pequenas e grandes falhas que carregamos.

O que seria necessário para que o homem seja "o seu próprio chefe"? Onde estará a mudança de mente que vai produzir essa revolução? Crer no ser humano? Só se for daquele jeito: sempre desconfiando.



sábado, 7 de agosto de 2010

Lindo texto, linda música

Maravilhosas, letra e música. Parceria de Sergio Napp e Fernando Cardoso, obteve o 3º lugar (!) na 4ª Coxilha Musical Nativista em Cruz Alta, no ano de 1984. A interpretação, nessa ocasião, foi de Eraci Rocha. Mais sobre o referido festival, clique aqui.

Particularmente, uma música que eu me orgulharia muito, muito mesmo, de ter feito.

Curiosidade: geralmente, dou uma googleada, Ctrl+C e Ctrl+V, e pronto, acho praticamente qualquer texto desejado. Esse não: tive que digitá-lo. Ou seja, nem tudo está ao alcance pelo Google. Lição de humildade, quem sabe.



Morada
(Sergio Napp/Fernando Cardoso)

Esse amargo pelo peito,
Esse jeito tão sem jeito
De me olhar pelos teus olhos,
Como quem desata um laço,
Prova o gosto da ternura
E descobre um outro mundo
Por detrás daquele abraço.

Esse amargo que se toma
Como quem prova da vida,
Como um beijo que se rouba,
Essa hora em que se dorme
Com a alma enluarada,
É a hora em que me tomas
E me fazes de morada.

Teus silêncios, tuas tramas,
O teu rastro, as tuas sanhas.
O teu pasto, teus achegos,
Teus pelegos, tuas manhas.
Teu melaço, tuas ramas,
Teu mormaço, tuas sangas
O teu cheiro, flor e mato;
O teu gosto de pitangas.