terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Os massacres e o Natal

Sobre esta chacina numa escola dos EUA, o psicanalista gaúcho Luiz Antônio Araujo observa que “os criminosos se comprazem em apagar os próprios rastros por meio da eliminação de crianças como as que um dia foram, de parentes próximos e, por fim, de si mesmos”. O Herodes do Natal foi um psicopata com estas características. Eliminou parentes, filhos, e por fim os inocentes de Belém para manter o seu rastro de poder (Mateus 2.16-18) e assinar com sangue a história bíblica. São as infames narrativas natalinas reprisadas e com agenda certa enquanto o mundo não acabar. Mas, se pensarmos no real sentido do nascimento de Jesus, é por isto mesmo que ele veio e um dia voltará. É para dar um basta definitivo com os filhos de Caim. Bem disse o profeta:“As botas barulhentas dos soldados e todas as suas roupas sujas de sangue serão completamente destruídas pelo fogo. Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será nosso rei. Ele será chamado de Conselheiro Maravilhoso, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Isaías 9.5,6).

E a solução terrena para tanta violência? Será que está em atitudes políticas de restrições no uso das armas ou de leis mais severas? Regras e punição são indispensáveis, no entanto, o jeito mais eficaz está no poder da notícia angelical: “Nasceu o Salvador de vocês”. Isto muda o coração e as atitudes. Mas é preciso encontrar a criança enrolada em panos e deitada em manjedoura. Ou seja, é necessário desenrolar o coração dos trapos do pecado e crer na singeleza e simplicidade do amor divino. Ou então continuar atrás da redenção na complicada lógica humana ou na sofisticada tecnologia.  Mas, e se déssemos uma chance para a promessa do Emanuel, o Deus conosco? De que Ele enxugará dos nossos olhos todas as lágrimas, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor?  (Apocalipse 21.4).  Foi ele quem disse: “Felizes são as pessoas que choram, pois Deus as consolará” ( Mateus 5.4). 



Marcos Schmidt
pastor luterano
fone (51) 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
20 de dezembro de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Milagre diário, milagre eterno.


(Coluna do Pr. Davi Schmidt, publicada em 10/07/2012 no Jornal Dois Irmãos.)


O texto bíblico destacado para ser lido na Igreja no final de semana passado é o texto de Marcos 6. 1-13. E o fato curioso deste texto é Jesus ter voltado para o seu local de origem e ter sido rejeitado pelos seus conhecidos. É claro que Jesus nasceu em Belém, mas o lugar onde ele cresceu foi Nazaré.
A Bíblia nos relata que as pessoas se maravilhavam com as coisas que ele dizia e os milagres que fazia. E diziam: “Como é que ele sabe estas coisas? Quem foi que ensinou isto para ele? Ele não é aquele mesmo que era carpinteiro, filho de José?” As pessoas estavam surpresas com Jesus porque Jesus nunca havia aparecido a elas se manifestando como Deus. Jesus era, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e homem. Mas ele respeitou as leis da época, que diziam que apenas maiores de trinta anos poderiam se manifestar em público. E seus conterrâneos não queria acreditar nele, pois conheciam a ele de maneira diferente. Diziam conhecer os seus irmãos (meio irmãos de Jesus, os filhos de Maria com José), Tiago, José, Judas e Simão. Não conseguiam acreditar no fato de que aquele homem que se manifestava diante deles era Deus. Jesus se admirou com a falta de fé deles. Mas mesmo assim continuou percorrendo as cidades vizinhas, ensinando e fazendo milagres. Está aí algo que podemos aprender de Jesus: Não desistir de pregar a palavra e de testemunharmos o poder de Deus apenas porque algumas pessoas não acreditaram. A missão requer perseverança da nossa parte.
No mesmo trecho da Bíblia, aparece o relato em que Jesus envia os seus discípulos para fazer missão, dando Seu poder a eles. E mostra a eles que eles não deveriam levar muitas posses, mas deveriam confiar no milagre de Deus de que nada iria faltar nessa missão. Também aconselhou os discípulos a insistir com a pregação da Palavra de Deus com as pessoas. Mas deveriam “sacudir o pó das sandálias” quando fossem rejeitados. Isto era um sinal de que os discípulos deixariam aqueles que não cressem na Palavra de Deus responsáveis por si próprios. A palavra havia sido pregada com insistência. Os que mesmo assim a rejeitaram, seriam entregues à própria sorte. Assim nós devemos pregar a palavra de Deus. Mas não somos nós que fazemos crer. É o poder de Deus pelo Espírito Santo que dá esta capacidade. Não devemos buscar obrigar alguém a crer, como muitos pensam. O testemunho é nosso, o milagre é de Deus.
Assim como Deus deu o poder aos seus discípulos, também nos dá o poder hoje. Não a capacidade de realizar milagres, como aqueles discípulos, mas a capacidade de pregar a palavra de Deus, para que através de nós sejam realizados milagres. Deus é o trabalhador, nós somos apenas os instrumentos. Através de nós, Deus quer realizar o milagre da fé em nosso próximo. O milagre do arrependimento diário para a fé em Jesus Cristo. Deus quer usar a nossa boca para falar da sua palavra, nossos pés para chegarmos aonde está aquele que precisa ouvir Sua Palavra, quer usar tudo o que somos e temos para realizar milagres no coração do nosso próximo, todos os dias. E quer realizar, também, o grande milagre pelo qual todos esperamos: a vida eterna, para todos aqueles que crêem em Jesus Cristo como o verdadeiro Salvador. Usa-nos na Tua missão, Senhor. Amém.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Deus se manifesta também pela criação?



Sabemos que Deus deu testemunho de si mesmo através da sua Palavra – compilada ao longo dos séculos de história do povo de Deus e encarnada por meio de Cristo. No entanto, há passagens bíblicas que indicam que tudo que foi criado testifica a respeito de Deus, de sua lei e graça para a salvação.

Sl 19.1-6: os Céus proclamam glória de Deus

19.1   [Ao mestre de canto. Salmo de Davi] Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.

19.2   Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.

19.3   Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som;

19.4   no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol,

19.5   o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho.

19.6   Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor.

O trecho referido é um hino à glória de Deus, é manifestada através da criação. O texto fala de um anúncio que pode ser ouvido sem que haja nenhuma voz ou som, e sobre conhecimento que é revelado dessa forma a todo o mundo habitado. Trata o sol, que era considerado uma divindade por muitos povos, como sendo parte da criação de Deus, e também mostra Deus zelando pela criação. A grandeza de toda criação, enfim, é colocada debaixo da autoridade de Deus, e servindo os seus propósitos.  

O pregador inglês Charles Spurgeon (1834-1892), em sua obra The treasury of David (O tesouro de Davi), expõe sobre o referido texto:

"Na juventude, enquanto cuidava do rebanho de seu pai, o salmista tinha-se dedicado ao estudo dos dois gran­des livros de Deus: a natureza e as Escrituras. E ele tinha-se aprofundado no espírito destes dois únicos volumes de sua biblio­teca a tal ponto que era capaz de compará-los e contrastá-los num estudo disciplinado, engrandecendo a excelência de seu Autor quese vê em ambas as obras. (...) Sábio é aquele que lê tanto o livro sem palavras como o livro da Palavra como dois volumes da mesma obra e conclui: 'Meu Pai escreveu tanto este quanto aquele.'"

É interessante destacar a interpretação de um mecanismo que Deus utiliza para transmitir conhecimento e sabedoria a todos os seres humanos.

"Seria bom que todo ser humano aprendesse a lição do dia e da noite. Ela deveria permear nossos pensamentos diurnos e noturnos para nos fazer lembrar o fluxo do tempo, o caráter passageiro das coisas terrenas, a brevidade tanto da alegria como da tristeza, a preciosidade da vida, nossa incapacidade total de recuperar as horas passadas e a irresistível aproximação da eter­nidade. O dia nos remete ao trabalho, a noite nos lembra os preparativos para nossa morada final; o dia nos move a trabalhar para Deus, a noite nos convida a descansar nele; o dia nos impe­le a buscar a luz eterna, e a noite nos adverte a escapar das trevas eternas."

Ainda, podemos lembrar do texto de Sl 30.5b, "ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã." e relacioná-lo ao relato da manhã da ressurreição de Cristo.

Rm 1.19-20: atributos de Deus se reconhecem pelas coisas criadas;

1.19   porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

1.20   Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;

Em trecho que fala da indignidade do ser humano e da sua depravação, o apóstolo Paulo indica que os gentios - aqueles que não tiveram acesso ao ensino formal da Palavra de Deus, podemos dizer - não estão totalmente desprovidos do conhecimento de Deus. Novamente a criação é mencionada como sendo elemento que testifica a respeito de Deus e da sua glória. A própria natureza, a consciência do ser humano e sua capacidade intelectual apontam, primordialmente, para Deus. 


Rm 2.14-15 a lei gravada no coração – até mesmo dos gentios

 2.14   Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.

2.15   Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, (...)

O apóstolo Paulo, novamente, reforça que a manifestação de Deus se dá também no íntimo de cada ser humano, por meio da consciência que cada um a respeito da conseqüência de suas atitudes e de sua indignidade. Sabe-se que a queda em pecado turvou a compreensão de nossa consciência pecadora, e que o pensamento contemporâneo parece promover o aprofundamento da alienação por meio de da promoção de “marchas”, “dia do orgulho” e outras formas de relativização do pecado. Sabemos quão nociva essa cultura pode ser, visto que confessar-se pecador – como a nossa própria consciência acusa - é atitude chave para o perdão e salvação pela graça de Deus.


At 14. 15-17 não deixou ficar sem testemunho de si mesmo

14.15   Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;

14.16   o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;

14.17   contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.

O testemunho da natureza novamente é mencionado por Paulo – na ocasião, junto a Barnabé – no que é tido como o primeiro discurso ou pregação a um público nitidamente pagão, nos primeiros anos da era cristã. Os pregadores, de maneira evangélica, criam empatia com os ouvintes, e apresentam Deus como fonte de tudo que há de bom e agradável, citando bênçãos facilmente identificáveis por qualquer pessoa. Em última análise, o bem que Deus graciosamente reserva a todos por meio das coisas por Deus criadas, indistintamente, servem para demonstrar o amor de Deus por todos.


CONCLUSÃO – Certamente, sabemos que o testemunho de Deus não é completo longe das Escrituras. Também, que a criação geme e espera, como todos nós, ser completamente redimida, conforme Rm 8.21-22. No entanto, é grande consolo saber que Deus, em sua onipotência, onipresença e perfeita sabedoria, guarda na criação sinais de seus atributos e de sua vontade para a humanidade.

Que Deus nos dê o seu Espírito e nos abençoe para que percebamos o seu amor salvador através de tudo que foi criado. Que nos sirva para testemunho, como portadores da boa nova de Cristo e da cruz, cumprindo o propósito divino de “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4).

Elaborada por Paulo Roberto Langwinski, para reflexão em reunião da Diretoria da Congregação Evangélica Luterana Cristo, de Santa Maria (RS). Recursos: Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada; “The treasury of David” (O tesouro de Davi), e sistema de pesquisa on-line do site da SBB, ambos disponíveis na internet.

Santa Maria, 2 de julho de 2012.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Comissão da verdade, anistia - para refletir.


Correio Braziliense - 28/10/2008
Transição inacabada

Jarbas Passarinho
Foi ministro de Estado, governador e senador
 
  O presidente Geisel, ao tomar posse em março de 1970, encontrou vencidas as guerrilhas urbanas, iniciadas em 1967. Preparou um plano de transição constante da Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978. Revogava o AI-5. Restabelecia todas as liberdades fundamentais, entre elas a dos órgãos de comunicação de massa, hoje conhecidos como mídia.
  Ao presidente Figueiredo coube continuar a transição, com a quebra do bipartidarismo e a anistia geral. Ao fim do mandato do seu sucessor, eleito pelo Colégio Eleitoral mantido pela eleição de 1982, encerrar-se-ia o ciclo militar. O PDS rejeitou fosse substituto de Figueiredo o deputado Paulo Maluf, candidato aprovado em Convenção Nacional. O cisma, liderado pelo senador José Sarney, em 1984, causou a adesão de grande parte do partido à candidatura de Tancredo Neves, ainda eleito pelo Colégio Eleitoral tão execrado, mas útil no momento favorável.
  Quanto à anistia, a oposição exigia "ampla, geral e irrestrita". Apresentou, porém, um substitutivo que aprovava a absolvição dos crimes conexos (entendidos como terrorismo e tortura), mas não abrangeria, intencionalmente ou não, Leonel Brizola e Miguel Arraes. Derrotado o substitutivo, encabeçado pelo deputado Ulysses Guimarães, foram ambos eleitos em 1982, respectivamente governador do Rio Grande do Sul e deputado federal, por Pernambuco. Líder do governo Figueiredo, e por ele autorizado, garanti, da tribuna do Congresso, que outras medidas, especialmente sobre os crimes de sangue que a lei excluía, seriam progressivamente submetidas ao Congresso.
  Aprovada a anistia pelo Congresso, antecipada pelo pluralismo partidário e a legalização dos partidos marxistas e até leninistas pelo presidente José Sarney, que fora o líder da Arena e do PDS, vê-se que a distensão buscava a democracia plena. Mas a esquerda radical não aceitou, anistiada, a reconciliação da família brasileira. Na Constituinte, o assunto voltou à baila: "Nada de esquecimento", diziam. Na gestão de FHC a litania separatista de esquerda foi atendida. O revanchismo produziu a inversão da história: os vencidos na luta armada, que a deflagraram em 1967, passaram a reescrever a história.
  O presidente Fernando Henrique Cardoso tornou lei a "vendeta". Constituiu as comissões de Anistia e de Indenização, tomadas de facciosismo raivoso e multiplicador até de fortunas, que levaram o humorista Millor Fernandes, nada simpático ao ciclo militar, escrever que "os guerrilheiros não fizeram guerrilha, mas um bom investimento". FHC, ao sancionar as comissões, disse ser "o dia mais feliz" da vida dele. Carreou votos de milhares de indenizados para Lula e não para Serra, seu candidato a presidente da República.
  Esse retrospecto põe em evidência o comportamento harmonizador, sem reciprocidade, dos que impediram que o Brasil virasse uma imensa Cuba. Pagam por isso, como se os guerrilheiros tivessem vencido, pelas armas, a segunda tentativa sangrenta de tomar o poder no Brasil. Derrotados, foram anistiados, mas parecem vencedores implacáveis. Falseiam a verdade. Objetivam convencer os incautos que perderam devido à tortura que teriam sofrido, quando se sabe que perderam porque não tiveram apoio da opinião pública, essencial para as guerrilhas.
  Dizem que lutaram pela democracia contra a ditadura. Como confessa dignamente o ex-guerrilheiro Daniel Aarão Reis, marxistas leninistas que eram, bateram-se pela ditadura do proletariado. Compensando o fracasso armado, estão com os bolsos abarrotados de dinheiro, pensões vitalícias sem pagar Imposto de Renda, empregos e nomes nas ruas. O presidente Lula, que prefere ser democrata pragmático a proletário revolucionário, os diz heróis, numa cerimônia a que presidiu.
  Apesar de todas as vantagens, não terminam as reivindicações. Nas eleições importantes de São Paulo, dona Marta Suplicy, derrotada, chamava de filhote da ditadura ao seu concorrente, que nem tinha nascido em 1964. Jornais de grande tiragem rememoram, de onde em onde, ocorrências havidas na guerrilha do PCdoB (ainda hoje stalinista), no Araguaia, sempre imputando sevícias aos que defenderam a pátria com o sacrifício da própria vida. Stalin agradece. Nossa pátria pranteia silenciosamente seus mortos. Note-se que a mudez impera no agitprop sobre as guerrilhas urbanas muito mais sérias.
  A OAB, 40 anos depois, pede ao Supremo Tribunal Federal que proíba prescrição do crime de tortura, que atribui aos militares, mas silencia sobre o terrorismo, o que faz supor aprová-lo como legítimo na guerrilha. Ignora o atentado que matou cinco pessoas inocentes, mutilou e feriu 15 no aeroporto de Recife, em 1966; o carro-bomba que estraçalhou o corpo de uma sentinela do Exército em São Paulo; os que, desarmados, emboscaram Henning Boilense; que "matou por engano" um major alemão, tomando-o por um capitão boliviano, que teria prendido Che Guevara, ambos alunos da Escola de Estado Maior do Exército brasileiro.
  Divulgam as violências que José Genoíno garante ter sofrido para dar informações de seu grupo, mas que tem a correção de negar tenha sido torturado ao ser preso na floresta. Pois os companheiros de Genoíno, meu par no Congresso, certa vez esfatiaram até à morte, na presença dos pais, o corpo de um menino de 17 anos de idade que serviu de guia à patrulha militar que os perseguiu na mata. Nos países torturadores, Cuba e China, onde se amestraram, devem ter-lhes lembrado Marx: "A violência é a parteira da história". E o terrorismo, doutores?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Reflexão de aniversário

Hoje eu sei que estavas ali,
Eu vivi entre as fortes muralhas
Que tua graça ergueu sobre mim,
Antes mesmo do tempo existir.

(Trecho de "Muralhas", de Stênio Marcius)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lembrança do Velho Mundo


Hoje voltaram da Europa meu irmão e cunhada. Trouxeram pra mim a lembrancinha das fotos - "made in China", of course, como quase tudo na atualidade.


Caso seja desconhecida pra ti, a miniatura representa um Trabant, veículo pequeno, barulhento e safado que foi produzido na Alemanha Oriental durante um bom pedaço do século passado. Tornou-se símbolo do modelo comunista falido, ao mesmo tempo em que adquiriu fama e admiração por causa de... enfim, sei lá o porquê. Um típico exemplo de "patinho feio".


A placa do feiosinho faz alusão à Alemanha Oriental, ou Deutsche Demokratische Republik - DDR - e também ao ano em que protestos levaram à queda do muro de Berlim e à consequente unificação da Alemanha.

Lembro sempre do Trabant na capa e encarte do Achtung Baby, clássico disco do U2 do início dos anos 1990, gravado na capital alemã. Teco e Jane, valeu!




domingo, 6 de fevereiro de 2011

Wikipedia me ensinou algo hoje

Lendo sobre o clássico "Smoke on the water", do Deep Purple, descobri as inspirações para compor o que talvez seja o maior riff da história do rock.

Ouça. É impossível não ver a diferença. Ambas as músicas "chupadas" são anteriores ao disco Machinehead, de 1972.

De um música do Stooges, de um disco de 1970... daí parece ter nascido a idéia geral da música.

E o riff está aí... extraída, igualzinha, da música do Carlos Lyra e do Vinícius de Moraes, compositores brasileiros.

Na mesma época, o Led Zeppelin se tornou uma lenda usando antigos blues de compositores americanos, tomando-os e transformando-os em grandes clássicos da banda. Isso dá outro post, alimentado pelo livro do jornalista Mick Wall, livro que é praticamente uma biografia da banda.

Enfim, o Lenny Kravitz já tinha dito que há um certo número de notas musicais e cada um faz o que pode com elas. Isso vale até para as lendas do rock, que na falta de coisa melhor, dão uma reciclada naquilo que estão ouvindo e tocam adiante, como se fosse novidade.

E deu muito, muito certo, no caso do Deep Purple.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Culpa e graça - as principais idéias do livro (1/3)

Culpa e Graça”, de Paul Tournier (1898-1986)


O objetivo deste estudo não é trazer uma receita com que secretamente sonhamos, uma receita para viver sem culpa! Mas procuramos analisar corajosamente a nossa condição humana, toda carregada, inexoravelmente, de culpa.”


1ª Parte – Dimensão da Culpa.


Sentimentos de culpa podem ser inseridos nas nossas mentes pelo comportamento dos outros. A diferença fundamental entre cada ser humano – as suas habilidades e capacidades, por exemplo – é capaz de gerar esse tipo de distorção. Afirmações, julgamentos, desprezo, censuras são formas de gerar culpa que, quando reprimida, gera uma resposta violenta. Até mesmo conselhos podem desencadear essa reação. Entre membros da mesma família, cônjuges isso é facilmente identificável.

O medo de sermos julgados é o que nos impede de sermos autênticos, assumindo nossos gostos, opiniões, desejos e convicções – Mt 25.25. Até mesmo debaixo de uma aparente caridade, altruísmo pode-se mascarar uma repugnância ou uma condescendência exagerada em relação a doentes ou enlutados. Isso é natural à medida em que há dentro de cada um de nós uma resistência em aceitar a miséria humana. Nessas situações extremas, é natural a nossa vontade de fechar os olhos, seja essa vontade consciente ou não. Jesus chama a atenção para essa tendência humana em Lc 20.31 e Mt 25.43.

Jó percebeu em seus amigos um profundo espírito de julgamento. Não voltaram as costas, mas tanto falaram, tanto tentaram ajudar que jogaram a culpa em Jó por todos seus problemas.

O autor cita uma outra forma curiosa de culpa, que serve, de alguma forma como estimulante: a procrastinação, o constante adiamento de uma tarefa importante. Ao perceber o pouco tempo restante para executá-la, a pessoa se lança com mais afinco na busca da realização. Ao verificar, posteriormente, que o resultado foi menor do que poderia ter sido, consola-se e desculpa-se consigo mesmo lembrando o pouco tempo dedicado à tarefa. A outros, no entanto, essa procrastinação agrava a cada instante a sua culpa, impedindo-o mesmo de começar o trabalho. Vale lembrar: o tempo pertence a Deus e somos seus mordomos também na administração desse precioso presente.

Fraudes inofensivas demonstram uma tentativa, mesmo que inconsciente, de nos acostumarmos com a culpa. Ao lembrarmos que as conseqüências de um determinado ato ilegal são pequenos, forçamo-nos a enfraquecer nosso conceito de “bem” e de “mal”.

O autor questiona: quanto de nossas decisões, portanto, são fruto de nossas livres decisões, de nossa plena consciência do que é bom, justo e correto? Quantas decisões tomamos estando presos por nossos sentimentos de culpa?


Eis aí o grande paradoxo que sempre encontramos em toda a Bíblia: o caminho doloroso da humilhação e da culpa, com todas as angústias e todas revoltas contra Deus que elas suscitam! E precisamente o caminho que desemboca no caminho real da graça. Deus ama os que, em lugar de disfarçar o problema, o enfrentam até o confronto e a resistência.”


Segundo o autor, a culpa também aflige a quem tem boas condições financeiras, quem recebe um privilégio, quem tem trabalho, quem tem saúde, quem tem uma profissão, e até mesmo a quem tem fé. O fato de outros não possuírem essas coisas traz um sentimento contraditório. É normal, ainda, que nos consolemos com a idéia que não podemos ser responsáveis pelo mundo inteiro. Mas ao mesmo tempo, surge a dúvida: será que o mundo inteiro não sofre por causa da suave negação de muitas pessoas da sua própria responsabilidade? Será que essa “cumplicidade universal” não aprofunda, agrava ou prolonga o problema? Então, nesse caso temos, segundo o autor, duas possibilidades de culpa: a de nos responsabilizarmos pelo mal no mundo ou a de não o fazermos.

A Escritura registra exemplos de líderes que se sentiram responsáveis pelo sofrimento do povo (2Sm 24.17, 2Co 11.29) ou com o mal que outros cometem (2Pe 2.8). Ainda, há o exemplo de Ezequiel, que se sentia sentinela responsável pelos outros (Ez 3.16-21, Ez 33.1-11). Em Jesus, no entanto, que esse seenso de responsabilidade se aprofunda até as últimas consequências (Mt 23.37, Mt 9.36, Lc 15.4 Jo 15.4), apesarr de Jesus se inocente (Is 53.5-12).


Assim, a vida espiritual e o ministério espiritual, longe de tornar mais leve o fardo da culpa, aumentam ainda mais a carga. Além disso, não se trata, como em Jesus Cristo, do peso da culpa dos outros somente. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais experimentamos a sua graça e quanto mais experimentamos a sua graça, mais descobrimos faltas em nós mesmos que não distinguíamos antes, e mais sofremos por isso.”


Nosso próprio mundo interior revela nossas culpas. O esquecimento, por exemplo, revela “uma falta de acordo consigo mesmo, a existência dessa força interior dissimulada e ativa que sabota nossa ação consciente.


Culpa e Graça - as principais idéias do livro (2/3)

2ª Parte – O Espírito de Julgamento.


O autor divide a culpa em dois grandes grupos: falsas e verdadeiras culpas. As falsas tem origem nos julgamentos que os homens fazem. As verdadeiras, no julgamento que Deus faz. Para diferenciá-la, o relato do episódio em que Jesus fica em Jerusalém sendo instruído por mestres da lei traz um ensinamento importante. Nesse relato, os pais de Jesus retornam aflitos para buscá-lo. Jesus, livre de culpas infantis, responde firmemente a seus pais conforme Lc 2.49. Jesus deveria estar lá, para cumprir o plano de Deus, e isso é algo muito mais sério e importante que alguma censura materna. Mesmo que Jesus seja o motivo da aflição de Maria, Ele não tem culpa disso.

Essas culpas falsas e verdadeiras ficam ainda mais claras quando verificamos os muitos episódios bíblicos que contém comportamento reprovável autorizado por Deus. Há episódios de homicídio, mentira, brigas, violência, vingança. A aprovação de Deus é o que torna uma ação aceitável ou não. Da mesma forma, uma sociedade culturalmente variada e o passar do tempo tornam o julgamento da sociedade algo extremamente volúvel. Não é possível considerar verdadeiras as culpas provocadas pela sugestão social. Assim, entendemos a repreensão de Jesus tanto a Maria, sua mãe (Mt 12.46-50), quanto a Pedro (Mt 16.22-23).


O problema é que todos os homens pretendem, por seus julgamentos, exprimir o julgamento de Deus. É um fenômeno universal. Os homens fazem um monopólio de Deus, mesmo os que não crêem nele, mas especialmente os que querem servi-lo e conduzir homens a Ele. Quando eles julgam a conduta de alguém, todos o faze com um tom peremptório que significa implicitamente que Deus julgaria exatamente como eles. Estão sempre tão fortemente convencidos de seu parecer sobre o bem e o mal que tem a impressão que Deus mesmo se trairia se não partilhasse da opinião deles.”

Jesus disse para que não julgássemos. Normalmente, modificamos essa ordem de Jesus para “não julgueis injustamente”, como quem pretende corrigir a Deus, como se ele estivesse ordenando que nos submetêssemos à injustiça e ao mal. Não nos parece possível não julgar. Mesmo que o façamos com todo cuidado, zelo e boa intenção, facilmente pecamos ao julgar. A Bíblia, revelação divina para nossa salvação, contém a Lei, que muitas vezes parece “gritar” para nós, a fim de que apontemos os erros do mundo inteiro. Ou ainda, imaginamos que faremos um bem ao denunciar o mal, mesmo que não nos peçam para fazê-lo. A verdade é que os erros são reconhecidos pelas pessoas em meditação, recolhidas, ou em um bate-papo informal com alguém que não o julga. A atitude de humildade, de rendição ao outro é eficaz, muito diferente da atitude julgadora. Como Jó, que defendia-se das acusações dos amigos que pretendiam convencê-lo de suas culpas diante de Deus. Em sua defesa contra o que considerava injusto – as acusações – ele não conseguia ouvir a voz de Deus, nem se dava conta da sua obsessão em justificar-se e não em confiar no poder de Deus. Quando cessa o julgamento, conclui o autor, estamos mais próximos do arrependimento e da graça de Deus.


Culpa e Graça - as principais idéias do livro (3/3)

3ª Parte – A Reversão


Cristo recebeu com uma palavra de perdão aqueles a quem o mundo despreza, e que estão conscientes de sua culpa, e falou com severidade àqueles satisfeitos em si mesmos e que reprimem qualquer sentimento de culpa.”


A análise e o exame de cada uma de nossas ações e pensamentos pode facilmente se tornar uma obsessão. O apostolo Paulo fala a respeito em Rm 7.19 e 24, mostrando que a extensão dessas culpas. Se por um lado, essas culpas que conseguimos medir – coisas que fazemos – representam algo que nos afasta e separa dos outros – através de julgamentos – percebemos que somos todos igualmente perdidos e afastados de Deus por natureza. A culpa, que nos separava dos outros por causa dos julgamentos, pode nos mostrar o sentido verdadeiro da ação de Deus em nosso favor: a culpa de todos os homens é inata, e estão todos os seres humanos na mesma calamitosa situação. Essa culpa do “ser”, ao contrário da culpa do “fazer”, é o que pode unir as pessoas, facilitar seu relacionamento, abrir caminhos para o testemunho, fazer uma sociedade mais justa, uma igreja mais receptiva e acolhedora, entre tantas outras coisas.

O moralismo que muitas vezes as igrejas cultivam é exatamente o mesmo que pretendia matar Jesus por curar um homem no sábado. Quem sabe o moralismo, hoje, tenha sido reforçado pela influência de Kant, filósofo alemão do século XVIII, que desenvolveu o conceito de “imperativo categórico”: instituir uma moral autônoma, dando ao homem a capacidade de julgar por si mesmo o bem e o mal, independente da revelação bíblica. Isso reforça a idéia de uma religião de princípios e deveres, tão difundida no nosso meio, e que representa uma grande ameaça não só à salvação eterna das pessoas, mas também à sua saúde mental.


4ª Parte – A Resposta


O que separa o homem da salvação não é a culpa – fazer algo, como querem os moralistas – mas sim a repressão da culpa, a autojustificação, a justiça própria. Em termos de relacionamento interpessoal, é a diferença entre começar a solucionar algum conflito e simplesmente adiar a solução aguardando que o problema seja esquecido, ou tentar transferir a responsabilidade ao outro, como no caso de Adão e Eva.

A pessoa convertida e redimida por Deus não está abrigada do pecado culpa. Talvez seja plano de Deus que tenhamos essa fragilidade e saibamos nos reconhecer frágeis e totalmente dependentes, que nos arrependamos constantemente, que tenhamos ciência da nossa miséria e da santidade e poder de Deus.


Foi para pregar a metanóia, esta transformação radical, o despertar da consciência e da culpa e a erradicação da culpa: a humilhação do orgulhoso e a restauração dos angustiados. Ela já foi de uma vez assegurada a nós e a todos os que crêem. Tudo já foi consumado.”


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Breve reflexão. Ou não.

"Gostaria que as pessoas aprendessem a ser chefes de si mesmas."
(José Mujica, presidente da República Oriental do Uruguai, em entrevista à Revista Veja de 29 de setembro de 2010.)

Não deixa de ser uma declaração curiosíssima para um político socialista. Estaria ele - que parece ter vida modesta e coerente com o discurso da esquerda, visto que vai de carona para o trabalho e tem apenas dois Fuscas na garagem - defendendo a livre iniciativa? Ora, mostrou-se contrário ao estatismo. Apontou o risco de opressão que as grandes burocracias trazem consigo. Ainda, defendeu o aprofundamento da democracia e liberdade de imprensa. Realmente, muitíssimo interessante. Que o eco seja ouvido em todos os países em que a tentação totalitária paira no ar.

Mais do que isso: essa frase permite uma reflexão universal. Mujica crê que o homem não consegue fazer o melhor para si mesmo, e que, portanto, a raiz dos problema da sociedade está dentro de cada indivíduo. O sonho de um mundo melhor depende de não nos sabotarmos mais uns aos outros, ou até a nós mesmos.

Realmente, podemos reduzir todos os problemas que afligem os seres humanos em questões bem simples de egoísmo, ganância, preguiça, insegurança, violência e tantas outras pequenas e grandes falhas que carregamos.

O que seria necessário para que o homem seja "o seu próprio chefe"? Onde estará a mudança de mente que vai produzir essa revolução? Crer no ser humano? Só se for daquele jeito: sempre desconfiando.



sábado, 7 de agosto de 2010

Lindo texto, linda música

Maravilhosas, letra e música. Parceria de Sergio Napp e Fernando Cardoso, obteve o 3º lugar (!) na 4ª Coxilha Musical Nativista em Cruz Alta, no ano de 1984. A interpretação, nessa ocasião, foi de Eraci Rocha. Mais sobre o referido festival, clique aqui.

Particularmente, uma música que eu me orgulharia muito, muito mesmo, de ter feito.

Curiosidade: geralmente, dou uma googleada, Ctrl+C e Ctrl+V, e pronto, acho praticamente qualquer texto desejado. Esse não: tive que digitá-lo. Ou seja, nem tudo está ao alcance pelo Google. Lição de humildade, quem sabe.



Morada
(Sergio Napp/Fernando Cardoso)

Esse amargo pelo peito,
Esse jeito tão sem jeito
De me olhar pelos teus olhos,
Como quem desata um laço,
Prova o gosto da ternura
E descobre um outro mundo
Por detrás daquele abraço.

Esse amargo que se toma
Como quem prova da vida,
Como um beijo que se rouba,
Essa hora em que se dorme
Com a alma enluarada,
É a hora em que me tomas
E me fazes de morada.

Teus silêncios, tuas tramas,
O teu rastro, as tuas sanhas.
O teu pasto, teus achegos,
Teus pelegos, tuas manhas.
Teu melaço, tuas ramas,
Teu mormaço, tuas sangas
O teu cheiro, flor e mato;
O teu gosto de pitangas.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Impressionante

Recebi um e-mail com as imagens abaixo, oferecendo esse "produto". Obviamente continha um link malicioso. Enfim, é normal, é spam, hoax, vírus, pegadinha etc.

Mas tenho genuína curiosidade em saber se alguém se comove a clicar, tentar descobrir um método pra ganhar na loteria. Se existe essa pessoa... pobre criatura!






sábado, 17 de julho de 2010

Pequenos prazeres da vida

Coisa boa isso que aconteceu comigo agora há pouco. Olhei pra uma estante recheada de CD´s aqui em casa e fui dar uma inspecionada. Há tempos atrás, eu tinha o hábito de comprar muito CD, consumia música em quantidade. Hoje, continuo ouvindo muito, por outros meios - o mundo mudou... pois é.

Ao olhar rapidamente entre tanta variedade lá disponível, separei 11 discos pra escutar. Não que sejam todos maravilhosos, desconhecidos, raros ou alguma coisa assim. Mas olhar as capas e encartes, ouvir as músicas novamente, isso traz de volta memórias, seja em forma de pensamento ou sentimento. Música, em especial, tem esse efeito sobre mim. Os sons despertam a minha memória. Pra outros, talvez sejam imagens. Ou cheiros. Enfim...

O disco que escutei e me deixou feliz: Maquinarama, do Skank. É muito legal. É de 2000. Mas é da época em que o Skank - talvez - fosse a maior banda do Brasil, com "hits" tocando na rádio, e tinha um show ao vivo poderoso, por conta disso. E, com esse disco, deu um passo corajoso, na minha maneira de ver, fazendo algo sofisticado em termos de som e gravação, e até mesmo em opção estética. Os timbres dos instrumentos, a gravação e produção eu acho ótimos. E gosto especialmente das letras. Por exemplo:

A última Guerra
( Samuel Rosa - Lô Borges - Rodrigo F. Leão)

Duas luas sobre a Terra
Apoiadas nos meus ombros Iluminam os escombros
Da nossa última guerra
Seu amor seca hidroelétricas
Corrompe os melhores diáconos
Seu amor esquenta os átomos
E rompe com a minha métrica
Seu amor justifica a crueldade
Troca o caminho do tempo
Seu amor muda o curso do vento Ilumina toda a cidade
E a poeira
Não deixou de cair
Passeia aqui através de mim
E encontra assim o fim (da guerra em nós)


Enfim. São coisas assim que fazem um dia legal.

domingo, 4 de julho de 2010

Para momentos de ócio recreativo

Pra quando não estiver fazendo nada e quiser dar umas risadas, recomendo o acesso a dois sites: http://www.instantsfun.es/ e o nacional, que declaradamente copiou a mesma boa ideia http://botaoteca.com.br.

É uma bobagem, mas é divertido. Lá tem botões com sons, como por exemplo, bordões clássicos de seriados de humor, tipo Big Bang Theory, Simpsons e Family Guy.

Tem também de frases de filmes, sons metidos a besta, galinhagens do Pânico e frases imbecis de todo tipo. Pode valer alguma risada.






segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sede de justiça

Há clamor mundial pela legalidade desde ontem.

Em duas partidas das oitavas de final da Copa do Mundo, ficaram patentes dois erros de arbitragem. Na partida entre Alemanha e Inglaterra, um gol que empataria a partida - e reabilitaria o time europeu dentro da partida - não foi concedido. A arbitragem não viu que a bola entrou. No outro jogo, o argentino Tevez aproveitou uma posição ilegal não assinalada e marcou, ajudando a eliminar o México.

O vídeo abaixo, do jogo entre Argentina e México, mostra que o lance é ilegal. Fica claríssimo com a visão de 32 câmeras, recursos de câmera lenta e ilustrações na tela.


O mundo inteiro esperneou e destacou as injustiças cometidas. Muitos ainda ressaltaram a necessidade de acrescentar mecanismos que diminuam a possibilidade do árbitro errar. Aí está a causa dessa confusão: árbitros erram.

Ninguém tolera a falta de justiça. Há quem ceda à paixão, e eventualmente se cale diante de alguma injustiça favorável ao próprio desejo egoísta. Há o auto-indulgente, que se omite por conveniência, sujeito a problemas de consciência. Mas a vontade de que tudo ocorra dentro das regras e leis, acredito eu, é geral. Fazer sempre o que é correto é impossível, mas é o que mais agradaria nossos corações e mentes.

Não escrevo pra defender replays nos estádios, nem auxílio tecnológico para melhorar as arbitragens de futebol. O que me chamou a atenção foi o destaque que os episódios receberam da parte da crônica esportiva - quem sabe não é apenas revanchismo, ou pura rivalidade? - e a covardia com o árbitro: querer que ele enxergue tanto quanto os olhos tecnológicos espalhados na beira do campo. Calma lá... observar algo claro, líquido e cristalino em telas de alta definição pode ser impossível a olho nu. Terrível responsabilidade!

Todo ser humano, a todo instante, está sujeito a erros de interpretação, e é constantemente traído por seus sentidos e sentimentos. Na nossa incapacidade de ser perfeitamente justos, de discernir perfeitamente... ainda assim temos sede de justiça.

Exatamente como disse um certo Jesus. Em um sermão numa montanha, certa vez, previu o futuro. Um dia, disse Ele, a justiça de verdade vai ser fartamente disponível para todos - conforme Mateus 5.6.

Que bom.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Noventa e nove ovelhas um bom pastor deixou

No tempo que eu era criança, a gente cantava uma musiquinha bem alegrinha na escola bíblica dominical. Ela falava do pastor de ovelhas que deixava 99 delas e saía em resgate de uma que estava desaparecida, conforme relato em Lucas 15.

Lembrei da minha infância quando vi as simpáticas ilustrações que este vídeo traz. A música do Stênio Marcius é bem diferente da que cantávamos há algumas décadas - acho que ainda cantam! - mas é maravilhosa.

Me surpreendi com a introspecção que experimentei pensando no sentido do texto bíblico, acho que o poeta e o ilustrador conseguiram conferir bastante emoção ao rico texto bíblico.


Me pus a pensar e vi quantas vezes eu, humano e limitado, cedo na primeira dificuldade, encerro a busca e volto pra casa. Ao contrário do pastor, que persevera, enfrenta o sofrimento e angústia, que encara o desafio e desce um barranco, que resgata a ovelha perdida e se alegra no fim...

Bom, eu, normalmente, me acomodo.

Ainda bem que a história não acaba aqui, e que o Bom Pastor conhece suas ovelhas, e mais que isso, dá a vida por elas.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Para pensar

Fato curioso: em um protesto, um grupo de estudantes limpava parte da parede de um túnel em Porto Alegre, retirando parte da fuligem e deixando uma mensagem.

Chega a Brigada Militar, achando que se tratava de um caso de pichação - os policiais chegaram a algemar alguns dos participantes.

Obviamente que a imagem - veja a matéria aqui - dá a entender algo bem diferente do que realmente acontecia. Mas é impressionante como a realidade pode ser muito, muito diferente do que pensamos, achamos, entendemos.